
"A censura inquisitorial não só aniquilou a tradição humanística do nosso Renascimento, e cortou a comunicação de Portugal com a cultura europeia, mas ainda desanimou e esterilizou (...) a criação literária e científica" (António José Saraiva)

O poeta António Ferreira (1528-1569) lamentava-se a certa altura, dando o tom da época:
«A medo vivo, a medo escrevo e falo;
Hei medo do que falo só comigo;
Mais inda a medo cuido, a medo calo.
Encontro a cada passo com um inimigo
De todo bom espírito: este me faz
Temer-me de mi mesmo, e do amigo.
Tais novidades este tempo traz,
Que é necessário fingir pouco siso,
Se queres vida ter, se queres paz.»
António Ferreira –Carta XII - a Diogo Bernardes
Avalia as consequências para o desenvolvimento intelectual e científico do reino ao longo dos sécs XVI, XVII e XVIII da acção da Contra-Reforma.