Sunday

O Tempo das Reformas Religiosas


Index Librorum Prohibitorum



"A censura inquisitorial não só aniquilou a tradição humanística do nosso Renascimento, e cortou a comunicação de Portugal com a cultura europeia, mas ainda desanimou e esterilizou (...) a criação literária e científica" (António José Saraiva)



O poeta António Ferreira (1528-1569) lamentava-se a certa altura, dando o tom da época:

«A medo vivo, a medo escrevo e falo;
Hei medo do que falo só comigo;
Mais inda a medo cuido, a medo calo.

Encontro a cada passo com um inimigo
De todo bom espírito: este me faz
Temer-me de mi mesmo, e do amigo.

Tais novidades este tempo traz,
Que é necessário fingir pouco siso,
Se queres vida ter, se queres paz.»


António Ferreira –Carta XII - a Diogo Bernardes







Avalia as consequências para o desenvolvimento intelectual e científico do  reino ao longo dos sécs XVI, XVII e XVIII da acção da Contra-Reforma.

Vítimas da Inquisição

As vítimas da Inquisição vestiam túnicas que permitiam distingui-las. O hereje, cuja túnica mosta uma fogueira está condenado à morte na fogueira. O que segura uma vara e um rosário será poupado. Em baixo podes ver alguns suplícios e penas por que passavam os que caíam sob a sua alçada.



Reforma Protestante

Damião de Góis


Damião de Góis , um dos espíritos mais universais que esta terra já viu nascer morre em 30 de Janeiro de 1574. Vítima do clima inquisitorial que o seu amigo de infância D. João III aqui havia instalado foi encontrado morto na lareira de sua casa em Alenquer.
Quando, em 1941, se fez a trasladação dos seus restos mortais para a Igreja de S. Pedro, em Alenquer, Mário de Sampaio Ribeiro, estudioso musical (Damião de Góis foi, também, compositor), viu-lhe o crânio. Notava-se uma violenta pancada arredondada, improvável que fosse provocada por qualquer aresta, ao cair sobre a lareira.
Alguém o assassinara.

Friday

Perguntas e Respostas

Tal como os esquemas conceptuais, estas "perguntas e respostas"  não são a solução milagrosa para teres boa nota na avaliação. Mas podem ajudar.



Visão Heliocêntrica proposta por Copérnico

Os novos caminhos do conhecimento

No começo do século XVI continuava a ser aceite o sistema geocêntrico, exposto por Ptolomeu no século II, que afirmava que a Terra era o centro do Universo. Em 1543, o polaco Co­pérnico expôs uma nova concepção, o sistema heliocêntrico, segundo o qual o Sol é uma estrela fixa, à volta da qual giram a Terra e os outros planetas .
Também os conhecimentos relativos ao corpo humano eram, antes do século XVI, muito rudimentares. Durante o Renasci­mento, todavia, os estudos de anatomia evoluíram de forma significativa. Passou a praticar-se a dissecação de cadáveres nas universidades, sobretudo depois dos estudos do médico fla­mengo André Vesálio
Esta nova mentalidade experimentalista e racionalista, aberta ao estudo de todos os ramos do saber, encontra-se na raiz da revolução científica, que viria a desencadear-se no século XVII.
Estudos anatómicos de Leonardo da Vinci : Ciência ou Arte?

Thursday

Arquitectura do Renascimento

Saber mais


Horizontalidade
Frontões triangulares
Arcos de volta inteira
Capitéis clássicos
Cúpulas



Biblioteca , Veneza
Basílica de S. Pedro, Roma


Os arquitectos do Renascimento constroem, a partir dos elementos fundamentais dos monumentos greco­-romanos (colunas, frontões, arcos de volta perfeita, abóbadas, cúpulas), novas formas artísticas - como fachadas com pilastras, longas cornijas e balaustradas - que dão aos edifícios renascen­tistas um plano de horizontalidade; como elementos decorativos utilizavam grinaldas, medalhões, caixotões, florões...

Capea dos Pazzi ( Brunelleschi 1430, Florença )
Pieter Bruegel, O Velho
(1525-69)
A Boda


Fun
Hieronymus Bosch
(1450-1516)


+

Tentação de Stº Antonio (painel central)

Um Artista a Descobrir

Giuseppe Arcimboldo
(1527-1593)

Estilo Manuelino

Janela do Capítulo
(Convento de Cristo, Tomar)



Mosteiro dos Jerónimos
(Lisboa, detalhe)
As inovações artísticas que já campeavam um pouco por toda a Europa a partir de Itália, a pátria do Renascimento, demoraram a che­gar a Portugal e, durante os séculos XV e XVI, continuaram a utilizar-se, entre nós, certos modelos e soluções estilo gótico. É no reinado de D. Manuel que algo de diferente se começa a fazer em termos artísticos e em que parece haver um florescimento das artes devido à prosperidade económica inicial­mente conseguida pelos lucros do Oriente,pela a existência entre nós de um conjunto de artistas, nacionais e estrangeiros, de grande valore pela vontade de D. Manuel de afirmar a sua gran­deza enquanto rei.
É neste contexto em que ganhou forma a corrente artística arquitectónica a que se chama Manuelino e que, do ponto de vista da arquitectura, seja visto ainda como uma variante do estilo gótico, apresenta originalidades, em particular nos mo­tivos decorativos:


-Elementos relacionados com as actividades marítimas, como amarras, bóias de rede,conchas e corais;

-Elementos de carácter vegetalista e naturalista, por exemplo troncos podados, folhas e alcachofras;

-Símbolos reais e nacionais como a esfera armilar, a cruz da Ordem de Cristo e o escudo das quinas.
De entre os principais edifícios deste estilo, contam-se a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, o Convento de Cristo, em Tomar, a Igreja da Graça, em Évora, o Convento de Jesus, em Setúbal e outros.
O Festim dos Deuses, de Giovanni Bellini



Características da Arte Renascentista

Botticelli




L'uomo universale


Para saberes mais sobre este génio da renascença http://www.wga.hu/index1.html

Wednesday

Objectivos de Aprendizagem





- DISTINGUIR as formas de intervenção e da presença portuguesa na Índia e no Brasil.

- LOCALIZAR no espaço e no tempo o Renascimento.

- EXPLICAR/IDENTIFICAR/DEFINIR as características do Renascimento:
   Classicismo, Humanismo, Espírito crítico, Individualismo, Antropocentrismo, Naturalismo e
   Experimentalismo.

- DEFINIR os seguintes conceitos: mecenato, geocentrismo, heliocentrismo.

- COMPREENDER a importância da imprensa na divulgação dos ideais do Renascimento.

- COMPARAR o Homem ideal do Renascimento com o da Idade Média.

- COMENTAR afirmações/frases.

- INDICAR as características, temas, os pintores principais e inovações técnicas da Pintura do Renascimento.

- IDENTIFICAR as características do Renascimento na Pintura, na Escultura e na Arquitectura.

Materiais

Aqui
Aqui



Saturday

Aprendo Sozinho



Breve resumo sobre a expansão e algumas questões para resolver sobre a gesta da expansão

Descobrimentos Portugueses



  Contexto:  modo como estão ligadas entre si as diferentes partes de um todo organizado;

Grupos Sociais e Expansão



Conquista de Ceuta




A Acção de D.João II


Com D. João II (1481-1495), a coroa assume decididamente a política de expansão marítima: fortalece-se o domínio português a sul das Canárias através do tratado de Alcácovas- Toledo (1479-1480), explora-se economicamente a zona do Golfo da Guiné a partir da feitoria da Mina e intensifica-se a busca da passagem do Atlântico para o índico. Para atingir este último objectivo, avançam as viagens de Diogo Cão e de Bartolomeu Dias ao longo da costa africana; ao mesmo tempo, Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã procuram, por terra, recolher informações sobre a navegação e comércio no Índico e localizar o reino do Preste João.


Caminho percorrido pela expedição de V. da Gama (a preto). No mapa está também o caminho percorrido por Pêro da Covilhã (a laranja) separado de Afonso de Paiva (a azul) depois da longa viagem juntos (a verde).


Materiais de Apoio

Conquista de Ceuta


A expedição a Ceuta

Era muito difícil a recuperação da agricultura, da indústria e do comércio, depois de uma crise tão grande e perniciosa como a que acontecera ao longo do século XIV. Crise tão grave que, em várias regiões da Europa, ainda não acabara. Prosseguia, ainda, a Guerra dos Cem Anos e, entretanto, os Turcos-Otomanos prolongavam, nas partes do Oriente, sobre os Balcãs, o amplo cerco que os Árabes faziam à Europa e que havia de culminar em 1453 com a tomada de Constantinopla.
Faltavam, à Europa, cereais e ouro. Mas sabia-se onde encontrar estas riquezas. Um dos lugares mais conhecidos e até mais próximos era Ceuta, praça do Norte de África e bom mercado onde che­gavam caravanas de negociantes do deserto do Sara.
D. João de Portugal concordou em organizar uma poderosa armada que fosse conquistar a próspera cidade marroquina. Eram mais de 200 navios pequenos e grandes, de velas ao ven­to! Nem todos chegaram ao destino porque o leme de muitos deles não resistiu à força da tempestade que os atirou para Algeciras. Porém, apesar do contratempo, a empresa foi um sucesso militar.

A. do Carmo Reis, Atlas dos Descobrimentos

Os Descobrimentos Portugueses (em resumo)


O expansionismo europeu

Durante o século XIV a Europa passou por uma grave crise demográfica, económica, social e política.
O comércio antes dos descobrimentos era feito por comerciantes muçulmanos, que traziam a vários pontos do mar Mediterrâneo na Europa principalmente a Itália.
Com isto existem vários intermediários o que faz que o preço dos produtos aumente.

O conhecimento do Mundo

No início do século XV, os europeus consideravam-se o centro do Mundo, sendo o conhecimento dos continentes asiático e africano bastante limitado. Do continente americano e da Austrália nada se conhecia.

Interesses dos grupos sociais

Até ao século XV os povos viviam isolados sem imaginar os habitantes das outras regiões. Esta situação alterou-se quando os Italianos e, depois, os Portugueses tomaram a iniciativa de entrar pelo Mar desconhecida, quebrando barreiras geográficas.
Várias motivações levaram os Portugueses à descoberta das novas terras:
• Rei – Procurava soluções para os problemas económicos que afectavam Portugal e também procurava aumentar a riqueza do país;
• Nobres – Tinham de novo oportunidade de se dedicarem à guerra, podendo adquirir novas terras, cargos e títulos;
• Burgueses – Desejavam novos produtos para fazerem comércio;
• Povo – Desejava conseguir melhores condições de vida;
• Clero – Movidos pela defesa da fé cristã desejavam ir combater seus inimigos de longa data, os Muçulmanos.


Condições da prioridade portuguesa

Os portugueses tinham também as melhores condições para partirem à procura de novas terras:
• Clima de paz:
• Posição geográfica;
• Tradição marítima;
• Conhecimento de instrumentos náuticos (astrolábio, quadrante, bússola, balestilha, vela triangular, caravela, navegação astronómica, portulanos);
• Estabilidade económica.

Conquista de Ceuta

Aconteceu em 1415 e foi um acontecimento fundamental para a expansão portuguesa. Várias razões levaram à conquista desta cidade:
• Existência de ouro e especiarias em Ceuta;
• Localização estratégica (junto ao estreito de Gibraltar, o que permitia que a quem a conquistasse controlasse o comércio do mar Mediterrâneo);
• Evitar as expedições dos piratas marroquinos para atacar a costa algarvia.
Depois da conquista Ceuta pelos portugueses os muçulmanos desviaram as rotas do comércio para outras cidades e começaram a ataca-la constantemente.

Ocupação e descobrimento do arquipélago da Madeira e dos Açores

Em 1419 ocupou definitivamente a Madeira. Mais tarde, o Infante D. Henrique, senhor das ilhas por doação do rei, mandou dividi-las em capitanias.
Em 1927 Diogo de Silves atinge os Açores. Nos Açores utilizou-se o mesmo sistema de divisão de capitanias.

A passagem do Cabo Bojador e os avanços para sul

Em 1434, Gil Eanes, passou o Cabo Bojador e aumentou o conhecimento dos portugueses sobre o continente africano.
Em 1960 Diogo Gomes chegou à Serra Leoa e posteriormente ao arquipélago de Cabo Verde.
Contrato de arrendamento a Fernão Gomes
Em 1469, D. Afonso V arrendou a Fernão gomes, rico burguês de Lisboa, o monopólio do comércio com a costa africana (com algumas excepções), por um período de cinco anos, mediante o pagamento anual de 200 000 reais e a obrigação de descobrir cada ano léguas de costa.

A política expansionista de D. João II

O objectivo de D. João II era chegar à Índia, em 1488 Bartolomeu Dias conseguiu dobrar o Cabo das Tormentas a que mais tarde D. João II viria a chamar Cabo da Boa Esperança
Os Portugueses tinham, finalmente, entrado no Oceano Índico.

A rivalidade luso-castelhana

A rivalidade entre Portugal e Castela, provocada pelas disputas sobre as terras descobertas, vinha já do século XIV, quando os dois estados reivindicaram a posse das ilhas Canários.
Com objectivo de pôr fim a este conflito em 1479, assinou-se o Tratado de Alcáçovas, que atribui a Portugal as terras a sul das Canárias, ficando estas ilhas como pertença de Castela. No entanto, com a descoberta da América, por Cristóvão Colombo, em 1492, o conflito reacendeu-se.
Em 1492, Cristóvão Colombo com o apoio dos reis de Castela chegou às Antilhas (América), pensando atingir a Ásia. Como as Antilhas se localizavam a sul do paralelo do tratado de Alcáçovas, Portugal reivindicou as terras, o que provocou um novo conflito com Castela.
Em 1494, com a intervenção papal, foi assina do outro acordo o Tratado de Tordesilhas.
Tratado de Tordesilhas: Neste tratado estabeleceu-se a divisão do mundo em duas partes, separadas por um meridiano que passava a 370 léguas a ocidente das ilhas de Cabo Verde. As terras descobertas, ou a descobrir, a ocidente dessa ilha pertenceriam a Castela e as descobertas ou a descobrir, a oriente pertenceriam a Portugal.


A chegada à Índia e ao Brasil

Em 1497, Vasco de Gama a mando de D. Manuel I (sucessor de D. João II) partiu de Lisboa para a Índia.
Em 1498, Portugal tinha oficialmente chegado à Índia.
D. Manuel mandou outra aramada para a Índia, comandada por Pedro Álvares Cabral, para tentar impor a presença portuguesa no oriente. Mas no percurso as embarcações desviaram-se para sudoeste o que fez que em 1500, Pedro Álvares Cabral chegou à Terra de Vera Cruz (Brasil).