Saturday

Portugal - Expulsão dos Jesuítas e Reforma do Ensino

Eu, EI Rei, (...) sou servido privar inteira e absolutamente os Religiosos Jesuítas dos Estudos de que os tinha mandado suspender para que, do dia da publicação deste alvará em diante, sejam extintas todas as Classes e Escolas que lhes foram confiadas, com tão perniciosos e funestos efei­tos, opostos aos fins da instrução e da edificação dos meus fiéis vassalos, abolindo-se até a memória das mes­mas Classes e Escolas como se nunca houvessem existido nos meus Reinos e Domínios onde têm causado tão enormes danos e tão graves escândalos. (...)
E sou servido da mesma sorte ordenar que no ensino das Classes e no estudo das letras humanas haja uma geral reforma, mediante a qual se reponha o método antigo, reduzido aos termos simples, claros e de maior facilidade, como se pratica actual­mente nas nações polidas da Europa, conformando-me, nesta determina­ção, com o parecer dos homens mais doutos e instruídos.

D.José I Alvará de 28 de Junho de 1759 (adaptado)

Propostas Iluministas



Síntese Esquemática

Iluminismo na Europa

O Iluminismo

O Saber Herdado

A Torre de Babel
Peter Brueghel, O velho

«Até que ponto poderei progredir?» - perguntas-me. Até ao ponto onde chegarem os teus esforços. De que estás à espera? O saber não se obtém por obra do acaso. O dinheiro pode cair-te em sorte, as honras serem-te oferecidas, os favores e os altos cargos poderão talvez acumular-se sobre ti: a virtude, essa, não virá ter contigo! Não é sem custo, sem grandes esforços, que chegamos a conhecê-la; mas vale bem a pena o esforço, porquanto de uma só vez se obtêm todos os bens possíveis. De facto, o único bem é aquele que é conforme à moral; nos valores aceites pela opinião comum não encontrarás a mínima parcela de verdade ou de certeza..
Séneca - Cartas a Lucílio

Sunday

Denúncias na Inquisição de Lisboa


Os cárceres estão cheios. As denúncias não param. Irmãos denunciam os irmãos, mulheres denun­ciam os maridos, os filhos denunciam os pais. Uma sombra devota de terror trespassa a alma do País.
Eis um pequeno sumário.

20 de Setembro de 1533 - António Correia denunciou Duarte Fernandes por não comer toucinho.

12 de Janeiro de 1554 - Diogo Antunes, estudante dos Jesuítas, disse que foi a casa de um calceteiro e que este tinha na parede uma estampa com um santinho com teias de aranha.

18 de Junho de 1554 - Compareceu o ouri­ves Pedro Rodrigues por ter dito que certas mulheres iam à romaria da Senhora da Luz menos por devoção do que por poucas vergo­nhas.

31 de Janeiro de 1555 - Compareceu Baltasar Gomes, ourives, que denunciou um flamengo que não tirou o barrete quando passava diante da cruz.

9 de Março de 1555 - O padre Luís Neto, capelão da Sé, acusou um inglês chamado Ricardo, que disse que o Papa canonizava os santos por dinheiro.

9 de Setembro de 1555 - João de Paris, relojoeiro francês, denunciou o inglês Marcos, mestre da Nau, que disse que não era preciso rezar aos santos, bastava fazê-lo a Deus.

21 de Janeiro de 1556 - André Pires, padre de Sarzedas, denunciou António Rodrigues por ter dito que Nossa Senhora era judia.16 de Fevereiro de

1556 - O jesuíta João Dício acusou o flamengo Reiner, lapidador de pedras, por ter dito que era mais virtuosa a vida dos casados que a dos religiosos.

26 de Março de 1556 - Ascenso Fernandes denunciou Pedro de Loreto, carpinteiro fran­cês, por comer carne à sexta-feira.

22 de Abril de 1556 - Francisco Gonçalves denunciou Rodrigues Álvares, escrivão, por vestir aos sábados pelote, calça preta, boas botas e roupão esverdeado, com pesponto de seda e alamares, ao passo que nos dias san­tos traz só gabão de mangas curtas.

10 de Julho de 1556 - Fernando Afonso denunciou dois hereges de Ponte de Lima, que disseram que a hóstia era apenas pão.

30 de Abril de 1557 - Manuel Borges denunciou António Gonçalves por ter dito que dormir com uma mulher não era mal nenhum.

4 de Agosto de 1557 - O licenciado Garcia Mendes de Abreu acusou um cristão-novo de dizer, sobre a virgindade de Nossa Senhora, o seguinte: "Como é que se pode tirar a gema ao ovo sem o quebrar?".


José Hermano Saraiva e Maria Luísa Guerra
Diário da História de Portugal

O Tempo das Reformas Religiosas


Index Librorum Prohibitorum



"A censura inquisitorial não só aniquilou a tradição humanística do nosso Renascimento, e cortou a comunicação de Portugal com a cultura europeia, mas ainda desanimou e esterilizou (...) a criação literária e científica" (António José Saraiva)



O poeta António Ferreira (1528-1569) lamentava-se a certa altura, dando o tom da época:

«A medo vivo, a medo escrevo e falo;
Hei medo do que falo só comigo;
Mais inda a medo cuido, a medo calo.

Encontro a cada passo com um inimigo
De todo bom espírito: este me faz
Temer-me de mi mesmo, e do amigo.

Tais novidades este tempo traz,
Que é necessário fingir pouco siso,
Se queres vida ter, se queres paz.»


António Ferreira –Carta XII - a Diogo Bernardes







Avalia as consequências para o desenvolvimento intelectual e científico do  reino ao longo dos sécs XVI, XVII e XVIII da acção da Contra-Reforma.

Vítimas da Inquisição

As vítimas da Inquisição vestiam túnicas que permitiam distingui-las. O hereje, cuja túnica mosta uma fogueira está condenado à morte na fogueira. O que segura uma vara e um rosário será poupado. Em baixo podes ver alguns suplícios e penas por que passavam os que caíam sob a sua alçada.



Reforma Protestante

Damião de Góis


Damião de Góis , um dos espíritos mais universais que esta terra já viu nascer morre em 30 de Janeiro de 1574. Vítima do clima inquisitorial que o seu amigo de infância D. João III aqui havia instalado foi encontrado morto na lareira de sua casa em Alenquer.
Quando, em 1941, se fez a trasladação dos seus restos mortais para a Igreja de S. Pedro, em Alenquer, Mário de Sampaio Ribeiro, estudioso musical (Damião de Góis foi, também, compositor), viu-lhe o crânio. Notava-se uma violenta pancada arredondada, improvável que fosse provocada por qualquer aresta, ao cair sobre a lareira.
Alguém o assassinara.

Friday

Perguntas e Respostas

Tal como os esquemas conceptuais, estas "perguntas e respostas"  não são a solução milagrosa para teres boa nota na avaliação. Mas podem ajudar.



Visão Heliocêntrica proposta por Copérnico

Os novos caminhos do conhecimento

No começo do século XVI continuava a ser aceite o sistema geocêntrico, exposto por Ptolomeu no século II, que afirmava que a Terra era o centro do Universo. Em 1543, o polaco Co­pérnico expôs uma nova concepção, o sistema heliocêntrico, segundo o qual o Sol é uma estrela fixa, à volta da qual giram a Terra e os outros planetas .
Também os conhecimentos relativos ao corpo humano eram, antes do século XVI, muito rudimentares. Durante o Renasci­mento, todavia, os estudos de anatomia evoluíram de forma significativa. Passou a praticar-se a dissecação de cadáveres nas universidades, sobretudo depois dos estudos do médico fla­mengo André Vesálio
Esta nova mentalidade experimentalista e racionalista, aberta ao estudo de todos os ramos do saber, encontra-se na raiz da revolução científica, que viria a desencadear-se no século XVII.
Estudos anatómicos de Leonardo da Vinci : Ciência ou Arte?

Thursday

Arquitectura do Renascimento

Saber mais


Horizontalidade
Frontões triangulares
Arcos de volta inteira
Capitéis clássicos
Cúpulas



Biblioteca , Veneza
Basílica de S. Pedro, Roma


Os arquitectos do Renascimento constroem, a partir dos elementos fundamentais dos monumentos greco­-romanos (colunas, frontões, arcos de volta perfeita, abóbadas, cúpulas), novas formas artísticas - como fachadas com pilastras, longas cornijas e balaustradas - que dão aos edifícios renascen­tistas um plano de horizontalidade; como elementos decorativos utilizavam grinaldas, medalhões, caixotões, florões...

Capea dos Pazzi ( Brunelleschi 1430, Florença )
Pieter Bruegel, O Velho
(1525-69)
A Boda


Fun
Hieronymus Bosch
(1450-1516)


+

Tentação de Stº Antonio (painel central)

Um Artista a Descobrir

Giuseppe Arcimboldo
(1527-1593)

Estilo Manuelino

Janela do Capítulo
(Convento de Cristo, Tomar)



Mosteiro dos Jerónimos
(Lisboa, detalhe)
As inovações artísticas que já campeavam um pouco por toda a Europa a partir de Itália, a pátria do Renascimento, demoraram a che­gar a Portugal e, durante os séculos XV e XVI, continuaram a utilizar-se, entre nós, certos modelos e soluções estilo gótico. É no reinado de D. Manuel que algo de diferente se começa a fazer em termos artísticos e em que parece haver um florescimento das artes devido à prosperidade económica inicial­mente conseguida pelos lucros do Oriente,pela a existência entre nós de um conjunto de artistas, nacionais e estrangeiros, de grande valore pela vontade de D. Manuel de afirmar a sua gran­deza enquanto rei.
É neste contexto em que ganhou forma a corrente artística arquitectónica a que se chama Manuelino e que, do ponto de vista da arquitectura, seja visto ainda como uma variante do estilo gótico, apresenta originalidades, em particular nos mo­tivos decorativos:


-Elementos relacionados com as actividades marítimas, como amarras, bóias de rede,conchas e corais;

-Elementos de carácter vegetalista e naturalista, por exemplo troncos podados, folhas e alcachofras;

-Símbolos reais e nacionais como a esfera armilar, a cruz da Ordem de Cristo e o escudo das quinas.
De entre os principais edifícios deste estilo, contam-se a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, o Convento de Cristo, em Tomar, a Igreja da Graça, em Évora, o Convento de Jesus, em Setúbal e outros.
O Festim dos Deuses, de Giovanni Bellini



Características da Arte Renascentista

Botticelli




L'uomo universale


Para saberes mais sobre este génio da renascença http://www.wga.hu/index1.html

Wednesday

Objectivos de Aprendizagem





- DISTINGUIR as formas de intervenção e da presença portuguesa na Índia e no Brasil.

- LOCALIZAR no espaço e no tempo o Renascimento.

- EXPLICAR/IDENTIFICAR/DEFINIR as características do Renascimento:
   Classicismo, Humanismo, Espírito crítico, Individualismo, Antropocentrismo, Naturalismo e
   Experimentalismo.

- DEFINIR os seguintes conceitos: mecenato, geocentrismo, heliocentrismo.

- COMPREENDER a importância da imprensa na divulgação dos ideais do Renascimento.

- COMPARAR o Homem ideal do Renascimento com o da Idade Média.

- COMENTAR afirmações/frases.

- INDICAR as características, temas, os pintores principais e inovações técnicas da Pintura do Renascimento.

- IDENTIFICAR as características do Renascimento na Pintura, na Escultura e na Arquitectura.

Materiais

Aqui
Aqui